Regresso ao Espelho

Não deixes que a ideia de seres profissional, apague a tua essência!

Há dias em que olhas o espelho e sentes que há algo que já não encaixa.
O teu reflexo até está lá, mas falta presença. Falta alma.
É como se, entre reuniões, decisões e responsabilidades, uma parte tua tivesse ficado para trás.
E talvez te perguntes quando é que começaste a vestir-te apenas para cumprir um padrão e deixaste de te vestir com verdadeiro prazer.

A perda da autenticidade não acontece de um dia para o outro.
Vai acontecendo devagarinho.
– No dia em que escolhes o preto porque “é mais seguro”.
– No dia em que deixas o colar que adoras, “para não chamares a atenção”.
– No dia em que acreditas que ser profissional é ser neutra e discreta, quando neutralidade nunca foi sinónimo de competência.

O peso invisível do medo de ser julgada

O medo de ser julgada é uma das “roupas” mais pesadas que uma mulher pode vestir.
Crescemos a ouvir que, para sermos respeitadas, precisávamos ser discretas, calmas, ou comedidas.
Que para sermos levadas a sério, era melhor apagar o brilho.
Mas o preço desse apagamento é alto: Desconexão.
Não porque te falte valor, mas porque deixaste de te mostrar.

Ser profissional nunca significou deixar de ser mulher, ou feminina.
Significa seres inteira, com a tua firmeza e a tua doçura, com o teu olhar decidido e o teu coração presente.
O teu estilo pode ser uma ponte entre quem és e o que fazes, ou pode ser um muro.
E quase sempre, esse muro começa por dentro.

Quando o espelho se torna um estranho

Depois de uma perda, de uma doença, de um luto ou de um cansaço profundo, é natural olhares o espelho e não reconheceres quem está ali.
A roupa, que antes te inspirava, agora pesa.
E o que chamavas conforto, que parecia refúgio, tornou-se forma numa forma de desaparecimento.
Vestes-te para passar despercebida e chamas a isso “praticidade”.
Mas o que estás a fazer, no fundo, é tentar proteger-te do reflexo que vês e da dor que isso te causa.

Está tudo bem…
Ninguém te ensinou a recomeçar depois de te perderes.
Mas o reencontro começa nos detalhes: numa cor que te traz energia, num batom que te faz sentir viva, num acessório que conta a tua história.
São pequenos gestos que dizem ao espelho: “Voltei.”

A roupa fala, mesmo quando tu te calas

A tua roupa fala.
Fala de ti, do teu momento, do que ainda dói e do que estás pronta a curar.
O teu guarda-roupa é o espelho mais honesto da tua alma.
Carl Jung dizia que o inconsciente se manifesta nos detalhes e talvez o teu inconsciente esteja pendurado nos cabides do teu guarda-roupa:
– Nas peças neutras que usas para te proteger,
– Nas roupas que já não te representam,
– No vazio que tentas preencher com mais consumo.

Mas há beleza nesse processo.
Há coragem em quereres reconhecer-te, mesmo quando já não és a mesma.
E é aí que a tua imagem pessoal ganha novo significado:
Deixa de ser estética e passa a ser simbólica.
Cada cor, cada corte, cada tecido torna-se um lembrete de quem és agora e não daquilo que tens tentado parecer.

Quando a tua imagem profissional reflete quem realmente és

Quando alinhas a tua imagem profissional à tua essência, tudo muda.
A tua presença ganha forma, a tua energia diz “eu sei quem sou”, e o mundo começa a ouvir-te com respeito.
A tua confiança já não vem do espelho, mas das tuas escolhas conscientes.
Brené Brown escreveu que a vulnerabilidade é o berço da autenticidade e é isso que o verdadeiro estilo é:
– A coragem de te mostrares inteira, mesmo sem seres perfeita!

Não precisas de um guarda-roupa novo.
Precisas de olhar para ti com outros olhos.
A roupa não te define, mas pode ajudar-te a lembrar-te de ti.
Podes continuar a ser profissional, competente e respeitada, sem te apagares.
Podes liderar com ternura, vestir cor num mundo cinzento, e usar um colar ousado durante uma reunião importante.
Presença é isso: coerência entre o que sentes e o que mostras.

A imagem é a tua primeira linguagem

A tua imagem fala antes de ti e continua a falar depois.
O que queres que ela diga?
Que és apenas mais uma mulher competente?
Ou que és uma mulher inteira, com alma, com verdade, com propósito?

O espelho não é o teu inimigo.
É o teu ponto de partida.
O teu guarda-roupa pode ser o início de uma nova história, aquela em que te vestes com consciência, amor, respeito e presença.
O mundo não precisa de mais mulheres perfeitas.
Precisa de mulheres que se mostrem, o que são.

Porque um look profissional pode abrir portas,
mas só a autenticidade abre caminhos e deixa uma marca.

Porque não começares a desafiar-te a dar já hoje os primeiros passos?
DESAFIO DE 21 DIAS – Quero saber mais

Sofia Coelho – Designer de Moda & Mentora de Estilo Emocional

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